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Jesuton: a voz que está conquistando o Brasil.

Captura-de-tela-inteira-29042013-151646UMA GRANDE MULHER

Atração confirmada para a próxima edição do Rock in Rio, Jesuton fala sobre sua forma de viver e sua relação com a música.

Rachel Jesuton Amosu, nascida em Londres, filha de pai nigeriano e mãe jamaicana, veio para o Brasil no início de 2012, com o objetivo de fazer sucesso. Descoberta pelo apresentador Luciano Huck, logo após seus vídeos terem sido postados na internet, passou de cantora de rua a contratada de uma grande gravadora para produzir seu primeiro disco da carreira. O álbum ENCONTROS foi lançado em 11 de dezembro de 2012.

Jesuton se apresentava com frequência no Largo do Machado, Rio de Janeiro, onde fazia versões de grandes clássicos da música internacional, como “The Blower´s Daughter”, de Damian Rice, “Same Mistake”, James Blunt e “Someone Like You”, de Adele.

Depois de se apresentar no Caldeirão do Huck, a artista conseguiu espaço em outros programas de auditório da Rede Globo. Fora isso, a cantora se apresentou ao lado de Ana Carolina no Prêmio Multishow em setembro passado. Em outubro contou sua história no Programa do Jô, onde mostrou seu talento e carisma, conquistando, naquele momento, a admiração de toda a plateia, inclusive do próprio Jô. Ainda em outubro, subiu ao palco do Vivo Rio para emocionar a plateia com seu desempenho.

Jesuton conta com exclusividade para os leitores da Vitrine Brasil, o que mudou em sua vida depois de se apresentar num programa de televisão assistido por mais de vinte milhões de pessoas.

jesuton (1)Vitrine Brasil: Como foi para você participar do programa Caldeirão do Huck pela primeira vez?

Jesuton: foi uma situação muito engraçada. Eu estava em casa acessando o Facebook para responder as dezenas de mensagens de pessoas que me escreveram sobre um vídeo que gravaram de mim e que colocaram na internet.  De repente recebo a ligação do Luciano. Foi muito gentil em se apresentar dizendo quem ele era e que tinha um programa de televisão. Após alguns comentários, ele disse-me que gostaria de gravar alguma coisa comigo. E o mais engraçado, por incrível que pareça, é que eu não conhecia nada da Rede Globo, principalmente o Luciano Huck e seu programa Caldeirão. Conversamos bastante e aceitei o convite. Naquele momento ele me perguntou qual local me deixaria bem à vontade para gravar e eu respondi que se fosse possível o Largo do Machado me sentiria bem. No dia e horário combinados, ao chegar ao local, encontrei toda a equipe do programa quase pronta para iniciar a gravação. Mesmo com tanta gente fiquei muito a vontade, exceto após a gravação quando ele me disse que o programa é visto por um universo de vinte milhões de pessoas. Confesso que senti um friozinho pelo corpo ao receber esta notícia, mas no geral foi muito bom viver aquele momento.

VTB: Onde encontra inspiração para buscar as músicas certas para desenvolver seu trabalho?

Jesuton: a inspiração vem da vida e, às vezes, de coisas que gosto e de pessoas que se aproximam de mim. Também me inspiro em artistas que gosto muito ou que consigo me identificar e, principalmente, com músicas que me emocionam. Ouvi, por exemplo, “O Mundo é um Moinho”, de Cartola, e me emocionei demais. Eu estava na casa de uma amiga quando comecei a ouvir o Cartola e a emoção tomou conta de mim. Tudo me agradou no Cartola. As letras, a melodia e o jeito de tocar o violão, enfim, tudo no Cartola me emociona.

VTB: Emocionou-se quando vendeu o seu primeiro CD pelas ruas do Rio?jesutonillnevelovethiswayagain

Jesuton: quando eu estava cantando pelas ruas não tinha ainda CD gravado.  Na verdade quando eu cantava nas ruas, estava tentando fazer uma produção artesanal em casa para atender as pessoas que me perguntavam onde poderiam comprar meu CD. Em julho do ano passado, quando surgiu a oportunidade de fazer a minha primeira produção em estúdio, fiquei muito emocionada. Quando peguei o CD pela primeira vez, senti um alívio enorme por saber que poderia atender, a partir daquele momento, as pessoas que desejavam ter minhas músicas com elas, além do que foi uma grande satisfação pessoal poder fazer algo que muito queria.

VTB: Consegue criar oportunidades para interagir com seus fãs para saber o que gostam mais em você como artista?

Jesuton: eu sinto uma coisa muito forte que é a comunicação com os fãs.  Uso as redes sociais, principalmente o Facebook, para interagir com eles. Procuro saber, por exemplo, quais músicas gostariam que eu incluísse no próximo projeto.  O meu fã clube fica em contato direto comigo e se encarrega de repassar aos participantes quase tudo o que acontece em minha carreira.

VTB: Sua carreira na Música está no topo da lista de suas prioridades?

Jesuton: a forma como trabalho minhas músicas posso considerar que é a minha principal prioridade. Cantar é minha prioridade e busco sempre fazer o melhor que posso para aperfeiçoar meu trabalho musical, por isso considero mesmo a música a minha principal prioridade.

VTB: Você é uma pessoa dedicada, firme e trabalhadora, que nunca desiste?

Jesuton: quando sei exatamente o que quero, não poupo esforços para trabalhar e alcançar meus objetivos. A parte mais difícil na vida de qualquer pessoa é justamente saber o que quer entre milhões de opções, mas, uma vez definido, não tem como desistir, exceto quando não se tem determinação. Logicamente às vezes percorremos caminhos que não nos levam a lugar algum, mas quando se tem determinação à regra é não desistir e seguir em frente na busca dos ideais.

VTB: Além do Rock in Rio, onde mais espera cantar e que público atingir?

Jesuton: o Rock in Rio será um ponto gigantesco para mim sem dúvida alguma. Eu me lembro de que quando trabalhava com outras coisas já sonhava em cantar para um público grande. É a realização de um sonho de poder cantar para milhares de pessoas num palco aberto. Neste evento cantarei no Palco Sunset, no primeiro dia do festival, 13 de setembro, que terá Beyoncé como atração principal. Também quero cantar fora do Brasil, preferencialmente em meu país e perto da minha família que mora em Londres.

O conto de fadas de Jesuton

São mesmo muitas emoções acumuladas desde que Jesuton, seu nome artístico, chegou ao Rio, em março de 2012, em companhia do marido, o chef argentino Javier Larroquet, em busca de alguma coisa que confessou não conseguir descrever direito, seja no seu inglês nativo ou no português que aos poucos começa a dominar.

Seu primeiro disco traz versões bem pessoais de artistas como Bon Iver e Cartola, com a regravação da música que tanto gosta “O mundo é um moinho”. Tudo indica que este foi o primeiro passo rumo a outro trabalho, com repertório próprio, que pretende lançar no futuro.

Na adolescência, Jesuton ouviu muito reggae e também artistas de soul e R&B, como Brandy, TLC e Brownstone, que os imitava cantando sozinha no seu quarto. Quando foi para a universidade — é formada em Ciências Humanas — passou a gostar também de rock alternativo, como Radiohead, Muse, além de curtir drum and bass e dubstep.

Em entrevista concedida ao jornalista Carlos Albuquerque, do Jornal O Globo, disse que nunca foi muito de ir à raves e festas e que seus pais eram muito controladores. Disse, também, que foi a muitos shows e descobriu coisas novas quando estava na universidade. Em particular se apaixonou por Jeff Buckley, um artista que a emociona até hoje. Também adora James Blake, completou.

Mais tarde, fazendo mestrado (é apaixonada tanto por antropologia como por genética), acabou se interessando pela América Latina, e pelo uso de psicotrópicos entre povos indígenas. Por conta disso, acabou parando em Cuzco, no Peru, onde as duas paixões (música e pesquisa) colidiram.

Jesuton começou a cantar num bar local e viu que a música tinha se tornado o seu lado dominante, não mais uma alternativa, um plano B.

No Peru conheceu também seu marido e tudo ganhou mais sentido. Resolveram, então, vir para o Brasil em busca de trabalho para ele e, de alguma coisa, que não sabia direito, para ela mesma.

No Rio, o casal se virou como pôde no começo, morando na casa de amigos no Chapéu Mangueira, na Lagoa e, finalmente, no Catete. Foi passeando pela cidade que Jesuton teve o momento “eureca”, que transformou sua vida.

Ela contou que estavam andando por Ipanema, perto da Praça General Osório, quando ouviu uma voz cantando uma música de Jeff Buckley. No começo, achou que era o som saindo da casa de alguém, mas era, na verdade, um francês, de passagem pela cidade, cantando na rua. Imediatamente ficou extasiada e percebeu que era um sinal muito claro de algo que iria mudar em sua vida. Conversou com ele depois da apresentação e pegou algumas dicas. Decidiu que era aquilo que iria fazer, ia cantar nas ruas também. Não conhecia ninguém, não tinha contatos com gravadoras. Era sua versão do faça você mesmo.

O resto é história que Jesuton lembra com entusiasmo. A insegurança dos primeiros shows, o apoio das pessoas nas ruas, a repercussão em sua página no Facebook, a ida à televisão, os primeiros contatos com músicos locais (Ana Carolina e Seu Jorge, passando pelo novato Silva, por quem ela se declarou apaixonada), as gravações do disco, o show…

Jesuton confessou que viveu um momento de celebração de sua aventura brasileira, que foi o começo de um novo ciclo em sua vida. Não esquece, porém, o que viveu e o que passou e o que aprendeu nos fulminantes meses antes de ser descoberta pelo Luciano Huck.

Em entrevista ao Portal G1, Jesuton comentou que na rua ou num festival, o artista está sempre lutando pela atenção das pessoas. “Mesmo que seja difícil, não significa que não vai ser provavelmente o melhor dia de sua vida até aquele momento”.

Jesuton se esforça para falar em português, ainda com sotaque forte, e comenta possíveis parcerias para novas composições no segundo disco.

Ainda em entrevista ao Portal G1, foi indagada se já conhecia a Vintage Trouble, banda que vai tocar com ela no Rock In Rio, e respondeu o seguinte:

“Não, minha equipe me apresentou a eles. Ouvi a música “Blues hand me down” e fiquei bem impressionada. Eles têm uma energia no palco que me faz lembrar James Brown. Uma mistura de rock e soul. Eu adorei, fiquei feliz. Mas ainda não sei como vamos nos organizar, se eles vão ser minha banda ou vamos nos dividir”.

Após shows fora de palcos, ela comemora impacto da novela Salve Jorge.

“I’ll Never Love This Way Again” seria só um antigo sucesso de Dionne Warwick, prima de Whitney Houston, de 1979, se não tivesse sido regravada por Jesuton para embalar as cenas de Théo e Morena em “Salve Jorge”. A música ganhou sotaque britânico e virou hit no Brasil.

Embora esteja agora com contrato com gravadora, ela fez questão de relembrar seu passado no clipe da música que embalou as idas e vindas do romance entre Morena e Theo.

Filmado em preto e branco, o vídeo mostra Jesuton entoando os versos do sucesso nas ruas do Rio de Janeiro, acompanhada apenas de um pequeno amplificador e a voz poderosa e marcante.

Para quem ainda não a conhece, Vitrine Brasil sugere acessar o endereço http://www.youtube.com/watch?v=ePrC8WnyjFQ

Perguntada se deseja seguir carreira no Brasil ou pensa em voltar para Londres, respondeu:

Na verdade, eu não cheguei aqui pensando em tentar a carreira de maneira firme. Queria cantar mesmo. Eu queria duas coisas: poder viver da música e poder viver no Brasil. Viajar para vários lugares no país. Eu me vejo aqui. Não descarto a possibilidade de viajar para outros lugares, talvez viver uma etapa fora do Brasil. Mas por agora me vejo aqui, fico contente de ter a possiblidade de viver da música”.

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