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O cinema contra o botox

Em defesa do envelhecimento natural, atrizes internacionais participam de um movimento que condena o uso abusivo de procedimentos estéticos.

Julianne-Moore-Reed-Krakoff-Spring-2014Movida à magia e ilusão, Hollywood está sendo abalada em um de seus principais pilares: o culto da beleza e da eterna juventude. Contra os procedimentos estéticos que amenizam rugas e marcas de expressão, atrizes na faixa dos 50 anos, como Jodie Foster e Julianne Moore, preferem não esconder os sinais do envelhecimento que, no caso de grandes intérpretes como elas, terminam por ser o seu maior capital. A mais nova no clube das que passam longe de uma clínica de preenchimentos e Botox é Teri Hatcher, a Susan do seriado “Desperate Housewives”.

Aos 48 anos, Teri decidiu divulgar um ensaio fotográfico em que se exibe sem maquiagem, fazendo caretas. A sequência de fotos mostrando-a enrolada numa toalha foi divulgada em sua página no Facebook para provar que ela abriu mão do uso da toxina botulínica. Adepta do procedimento no passado, Teri acha hoje ridículo aparentar ter menos idade: “É preciso aprender a envelhecer com elegância e dignidade”, disse ela.

Teri Hatcher, em cartaz com a animação “Aviões”, na qual dubla o personagem de uma empilhadeira, afirma que a decisão de parecer mais natural não diminuiu os convites de trabalho. O recado, obviamente, não se dirige apenas às suas colegas de profissão. “Quero ser uma das vozes, abrindo os olhos das mulheres para que se sintam bem do jeito que são. Rugas não impedem ninguém de ser bonito”, afirma.

article-2280282-17A571CF000005DC-848_634x723Disposta a lutar contra a ditadura da beleza, Teri dispensa até os comerciais de cosméticos: “Não sou contra a mulher querer ficar bonita. Só não acredito que um simples produto fará milagre algum”.

O pensamento coloca em xeque a ideologia dos estúdios, que sempre incentivaram o contrário. Em sua época de ouro, quando as técnicas de embelezamento não eram tão difundidas e avançadas, Hollywood reuniu os melhores maquiadores, fotógrafos e iluminadores para garantir que estrelas como Marilyn Monroe ou Greta Garbo parecessem deusas.

Na era das celebridades não basta ser astro apenas nas telas: é preciso exibir a mesma pele de porcelana na vida real, o que torna o cotidiano das atrizes um suplício.

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