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Acima das nuvens, deserto do Atacama hipnotiza e surpreende.

Numa das regiões mais áridas do planeta e cercada por paisagens surpreendentes, muito perto da fronteira com a Argentina e Bolívia, fica a cidade chilena de San Pedro de Atacama. O pequeno vilarejo, que foi o centro da cultura atacameña, anterior aos incas e, claro, aos espanhóis, vive uma efervescência especial desde que foi descoberto como ponto de partida para as maravilhas da região e começou a povoar-se com gente vinda de todos os cantos do planeta. Hoje, a população é um misto de raças, cores e línguas, entre locais, recém-chegados e turistas. Tem menos de de 5 mil habitantes, e fica a 1.870 km da capital chilena, Santiago.

Espremido entre a cordilheira dos Andes, a leste, e o oceano Pacífico, a oeste, o Chile é o país mais estreito do mundo. Mais peculiar ainda é abrigar, em quase toda a sua região norte, um deserto acima das nuvens, que esconde jazidas minerais e a maior reserva de cobre, lítio, nitrato e iodo do planeta.

Chega a ser surreal explorar parte dos 363 mil quilômetros quadrados do deserto do Atacama. A altitude que varia de 2.300 m a 6.893 m, desnorteia ora pela beleza estéril, ora pela força da natureza. Uma revelação para os sentidos, uma prova para o corpo.

Há quem diga ter vivido ali experiências únicas, visões do passado e do futuro. O fato é que, a 4.000 m de altitude, não há como escapar da hipóxia (baixo teor de oxigênio), que tem como consequência a diminuição da atividade do sistema nervoso central.

Sim, o deserto hipnotiza e surpreende, mesmo com um clima que é o mais seco do mundo, que faz os olhos e nariz arderem, mesmo com sensações térmicas até então desconhecidas sim, estamos falando de 30ºC negativos.

A-mao-do-deserto-atacamaMilhões de anos de transformações geológicas deram origem às cordilheiras, vulcões, salares e lagoas que se misturam a um céu turquesa sem nuvens, salpicado de estrelas e a uma flora e uma fauna únicas. Uma paisagem de, literalmente, tirar o fôlego.

Como um oásis, San Pedro de Atacama tem em seu passado uma vasta história. Os primeiros habitantes, ex-nômades, instalaram-se lá há 11 mil anos, desenvolveram a irrigação e a agricultura, domesticaram alpacas e lhamas, inventaram a cerâmica e transformaram o vilarejo na ”capital arqueológica do Chile”.

Para vasculhar cada canto do Atacama, seriam precisos 90 dias e, a maioria hotéis oferece os passeios nos pacotes. Subir às alturas chega a ser um impulso irresistível para quem está aos pés da mais longa cadeia de montanhas do mundo. Mas, como alerta Carlos Gerk, especialista em medicina de altitude, é preciso dar tempo para o corpo adaptar-se. E é assim, gradualmente, que as “escaladas” devem ser programadas. Nada de ascender cumes e vulcões de mais de 5.500 m, que podem terminar em edemas pulmonar e cerebral para quem não está devidamente preparado.

Erosões milenares

Para perder o prumo logo no primeiro dia e ter a exata dimensão de um deserto, o vale da Lua e o vale da Morte (ambos a 2.569 m) são um bom começo. Não há nada por lá, nem uma planta, nem um ser vivo. Areia, minerais, gesso e terra, em formações bastante peculiares, lembram a superfície da Lua.

Pouco adiante, ergue-se a cordilheira do Sal, antigo lago cujas placas tectônicas se elevaram pelos mesmos movimentos da crosta terrestre que originaram a cordilheira dos Andes. Suas erosões milenares são espetaculares, uma aula de ciência, ao meio-dia com o sol a pino.

À tarde, o destino sugerido, é o salar de Atacama (2.300 m). A paisagem muda radicalmente, e a vegetação resiste bravamente numa planície com quase 100 km de extensão coberta de sal, de onde afloram lagoas azuis habitadas por flamingos.

atacama-desert-chile-sky-night-stars-the-magellanic-clouds-the-milky-wayJá no segundo dia, há quem ignore as recomendações médicas e meteorológicas e dá um passo além do que devia. Rumo ao salar de Tara, na fronteira com a Bolívia, a mais de 4.000 m. A cabeça dói, a náusea aparece. Nem chá de coca resolve. Segundo os guias locais, tomar muita água para regular o metabolismo. O melhor seria água-de-coco, já que, com o ar seco, a cada respiração, perdemos também eletrólitos. O problema é que não há banheiros no meio do deserto. E aventurar-se atrás das rochas, com os termômetros abaixo de zero, não é nada fácil.

Melhor período para viajar…

O ano inteiro (evite a lua cheia, que “esconde” as estrelas); os meses de meia-estação são os melhores, com temperaturas mais amenas; no inverno (de junho a agosto), ela varia de 9ºC a 24ºC, caindo para abaixo de zero nas madrugadas.

Como chegar…

De avião, o voo Santiago-Calama dura 1h45; até San Pedro de Atacama, mais uma hora e meia de carro.

Hora local

1 hora em relação a Brasília

Idioma

Espanhol

Moeda

Peso chileno; US$ 1 = 491,3 pesos chilenos; 1.000 pesos chilenos compram R$ 3,24

Dica

Bagagem indispensável: botas para caminhadas, calça jeans confortável ou calça conversível em bermuda, jaqueta especial, boné, gorro, cachecol, luvas, óculos de sol, maiô, toalha, mochila (com água-de-coco, protetor solar FPS 30, protetor labial, soro fisiológico, papel higiênico e kit de primeiros socorros); se vista “em camadas”, com meia-calça/ceroula e roupas de pura lã e/ou especiais corta-vento.

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