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Letícia Sabatella: prazer em ser atriz

128-leticia-sabatella-1A suavidade do semblante e a voz calma enganam quem não espera força e vigor em Letícia Sabatella. A atriz de 42 anos carrega com o mesmo empenho seus papéis da ficção e de ativista ambiental. São comuns as reuniões com autoridades, as discussões sobre direitos humanos e indígenas.
Letícia tinha dois anos de idade quando sua família se mudou de Belo Horizonte para a cidade mineira de Volta Grande, indo residir na vila da Usina Hidrelétrica de Volta Grande. Ela conta que aprendeu a gostar da natureza nesse lugar cheio de verde e de pessoas de diferentes nacionalidades. Conta, ainda, que seu amadurecimento custou caro e veio com três experiências dolorosas. A primeira foi à morte por leucemia de seu namorado de adolescência. A segunda foi o nascimento prematuro de sua filha Clara, que a obrigou a morar no hospital com o marido na época Ângelo Antônio por três meses. A terceira foi à separação conjugal em 2003, que a levou a procurar ajuda psicológica e espiritual.

Sua consciência política surgiu cedo e foi reforçada pela companhia de pessoas como Frei Beto e Herbert de Souza, que lhe mostraram a importância de usar sua celebridade para algo mais do que ganhar dinheiro. Seu engajamento se tornou tão forte que chegou a conviver com os índios craós, no Tocantins, como se fosse um deles, e a acampar com integrantes do Movimento dos Sem Terra para entender sua proposta. Além disso, participa de várias entidades, é presença constante em fóruns, levanta a voz em defesa dos direitos humanos e do meio ambiente.

128-leticia-sabatella-4Letícia Sabatella é dona de seu tempo! Com voz mansa e uma fala pausada, ela parece não sucumbir à correria do mundo moderno. Em entrevista a Revista Minha Novela, a atriz confessa que, mesmo tendo projetos paralelos como diretora, seu desejo é continuar atuando. E mais: a atriz revela que prepara um projeto que una música e atuação.

Mulher extremamente sensível, Letícia, ao interpretar Ivone, a vilã fria e calculista da novela Caminhos das Índias, da TV Globo, em 2009, chegou a ter taquicardia e arritmia.

“A sensibilidade é o meu ônus e o meu bônus. Ela me dá elementos para ser quem eu sou como atriz e, ao mesmo tempo, me dá um trabalho danado, porque me deixa demais à flor da pele. Por causa da personagem, precisava conter essa sensibilidade que era um recurso meu para trabalhar. Isso me deu arritmia e taquicardia durante toda a novela”, declarou.

Letícia afirmou também, que acredita que sua sensibilidade muda com as fases da lua. “Eu associo sensibilidade à lua cheia, acho que sou um pouco lobisomem. Fico muito sensível. É raro eu ficar irritadiça, não sou desse tipo. Tem épocas em que o vento bate na subida de uma escada, me sensibilizo e eu choro. O ator acaba sendo muito fomentado por suas emoções”.
A atriz revela sua paixão pela música e o desejo de investir em um projeto que una a atuação e o canto.
Como começou na vida artística?

Fazendo balé aos oito anos, teatro aos 14 e, aos 17, comecei a cantar em corais e bandas. Nesta mesma época, comecei a fazer teatro amador. Fui fazer uns testes, o Emílio Di Biasi (ator e diretor) me conheceu numa peça e me chamou para um teste. O (diretor) Luiz Fernando Carvalho me viu e comecei na TV.

Direto na Globo?

Foi. Fiz um especial, ‘Os Homens Querem Paz’. Depois, em 91, fiz minha primeira novela, ‘O Dono do Mundo’, como a prostituta Taís. Era do Gilberto Braga e direção de Daniel Filho. Digo que eles me obrigaram a fazer TV. E já são mais de 20 anos de carreira e cerca de dez novelas.

Quais personagens marcaram mais você?

Muitas me marcaram justamente por serem diferentes. Cada uma me marcou de um jeito. A Taís, de ‘O Dono do Mundo’, a Latifa, de ‘O Clone’. Várias…

Inspirou-se em alguém para criar a personagem?

Em pessoas especificamente não, mas em perfis bipolares.

Leticia-Sabatella-estiloJá foi noticiado algumas vezes que você irá investir em algum projeto ligado à música. Como é isso?

É uma coisa que eu vou fazer com calma. Eu gosto muito da ideia de voltar aos palcos com algo ligado à música. Sem ser exatamente um musical ou propriamente um show, mas algo que trabalhe com textos, poesia e, claro, a própria música. Um trabalho mais autoral mesmo. Eu sinto falta de cantar mais. Na televisão, isso é raro. A música está sempre me cutucando, vindo à cabeça em meus sonhos… Estou realmente com vontade de trabalhar isso. Mas não sou a cantora, aquela que irá vender milhões de discos… Não é isso! Acho que é um experimento que integra o meu trabalho de atriz. O meu modo de cantar é uma maneira de uma atriz que canta.

Você sempre foi apontada pela mídia como uma mulher madura. Isso desde muito jovem. A que se deve esta imagem?

É porque faço meu trabalho com muito prazer, mas também com muita seriedade.

Você já afirmou ser espiritualista. Segue alguma religião?

A minha espiritualidade não é romântica. É bem pé no chão, está preocupada com justiça social, qualidade de vida e está ligada à paz de espírito, que vem de uma conduta ética, de um olhar amoroso. Gosto de alguns gestos simbólicos. Respeito quando isso existe em todas as religiões, quando é acompanhado de um silêncio interno, de um encontro consigo mesmo e de uma escuta muito pessoal de qual caminho seguir. É assim que vejo a espiritualidade.

 Aos 42 anos, você tem uma beleza natural. Gosta de se cuidar?

Sim e, para isso, só preciso de uma rotina. Mas, infelizmente, nem sempre é possível. Mas gosto de me alimentar bem e estar perto da natureza.

Você já se engajou em diversas causas ao longo de sua carreira. Você consegue dimensionar o retorno que a sua imagem proporciona aos movimentos sociais?

Assim como o rosto de alguém vende produtos, também divulga uma ideia. Todos têm um poder de imagem pública como cidadãos, e acho que qualquer pessoa, independentemente de ser pública, é uma divulgadora de ideias.

Letícia Sabatella não vai ficar longe da TV por muito tempo. Após viver Verônica na novela “Sangue Bom”, ela vai ganhar um papel na série “Sessão de Terapia”, do GNT.

Em dezembro, Letícia Sabatella se casou com o ator Fernando Alves Pinto, na Estação São Paulo, no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Na ocasião, a atriz usou um vestido assinado pela estilista Martha Medeiros, a mesma que confeccionou o modelo usado pela atriz quando foi ao Festival de Cannes. Em entrevista à revista “Caras”, ela resumiu o que sentiu durante a união. “Se tivesse 20 anos de idade, iria encarar tudo isso como um conto de fadas, mas, com a maturidade, acabamos não idealizando tanto as coisas, mas confesso que, lá no fundo, me senti uma Cinderela”.

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