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Autismo: deficiência ou doença mental?

autismo-20121129-size-598Nossas decisões, reações e respostas sempre são baseadas na emoção que estamos sentindo ou na emoção que a situação nos provoca.

Entender e dar sentindo às nossas emoções é o que nos torna capazes de fazer escolhas que sustentam o nosso desenvolvimento. Nós precisamos dos outros para aprender a gerir nossas emoções, desde os primeiros dias de vida compartilhamos nossas emoções através de olhares e mais tarde de sorrisos.

Desde a década de 40 até aos anos 60, de modo geral, acreditava-se que um indivíduo autista tinha o desejo consciente de não participar de qualquer interação social. Atualmente, porém, sabe-se que tal isolamento não resulta de qualquer desejo ou vontade consciente e ocorre, pelo contrário, na sequência de alterações neurológicas e bioquímicas que têm lugar no cérebro.

A certa altura, pensou-se que na origem desta desordem estaria uma falta de ternura e de calor humano por parte dos progenitores. Sabe-se agora que tal pensamento não é verdadeiro, uma vez que o autismo não é causado por fatores de ordem psicológica. Assim sendo, com a experiência das escolas ligadas a associações de pais em todo o mundo, as crianças com autismo são educadas adequadamente por pais e profissionais em conjunto. Os métodos utilizados baseiam-se, em grande parte, nas terapias comportamentais.

O autismo é uma deficiência e não uma doença mental. 

Existem várias definições de autismo.

  1. um problema neurológico ou cerebral que se caracteriza por um decréscimo da comunicação e das interações sociais.
  2. uma desordem psiquiátrica em que o indivíduo se recolhe dentro de si próprio, não responde a fatores externos e exibe indiferença relativamente a outros indivíduos ou a acontecimentos exteriores a ele mesmo.
  3. uma desordem vitalícia com perturbações em competências físicas, sociais e de linguagem.
  4. uma deficiência mental específica que afeta qualitativamente as interações sociais recíprocas, a comunicação não verbal e a verbal, a atividade imaginativa e se expressa através de um repertório restrito de atividades e de interesses.

autismo002Como o autismo se processa ao longo da vida?

O autismo não pode ser diagnosticado apenas a partir de um só sintoma, é necessário que estejam presentes simultaneamente os sintomas principais o que acontece, por vezes, antes dos três anos de idade.

Ao longo da vida há uma evolução dos sintomas relacionada com as características dos diferentes níveis etários e com as características individuais. A pessoa com autismo é um indivíduo único e não deixa de passar por todas as etapas da vida como qualquer outro ser humano.

O bebê com autismo pode demonstrar indiferença, falta de interesse pelas pessoas e pelo ambiente e medos estranhos. Não dá resposta ou dá respostas diferentes se comparadas com a de outros bebês. Pode ter problemas de alimentação, ou de sucção; ter falta de interesse pela comida; rejeição ou preferência por certos alimentos. Pode ter problemas de sono e chorar muito ou nunca chorar.

Até aos 12 meses podem aparecer comportamentos repetitivos, restritivos ou estereotipados (bater palmas, rodar objetos, abanar a cabeça). A criança pode ter interesses obsessivos pela luz, por um brinquedo ou objeto. Pode tardar a andar.

Até aos 24 meses, manifesta-se a ausência ou dificuldade de comunicação verbal e gestual. A linguagem pode tardar ou não aparecer.

A criança pode não manifestar interesse pelas atividades de autonomia que começam geralmente nessa idade (querer comer sozinho e vestir-se sozinho); dá respostas inadequadas aos estímulos sensoriais: tem sensibilidade ao frio e ao calor, à luz, à dor ou a certas texturas. Há falta de correlação da causa efeito.

Depois dos dois anos, a criança pode não brincar normalmente, não entrar em brincadeiras com pares ou com o grupo. A esta altura, os problemas do domínio cognitivo, especialmente de linguagem, começam a estar presentes. A criança com autismo usa a ecolalia frequentemente. Fala, utilizando padrões repetitivos e não usa o «sim» e o «não»; inverte os pronomes; escolhe palavras cujo som lhe agrada e repete-as fora do contexto. Não compreende os sentidos figurados.

O período dos três aos seis anos é uma etapa muito difícil para a criança e para os pais, pois a deficiência manifesta-se claramente. Podem aparecer comportamentos agressivos, birras sem causa aparente, medos excessivos ou irracionais de situações diárias.

Dos seis anos à adolescência alguns dos sintomas mais perturbadores de comportamento tendem a diminuir. Mas o autismo permanece numa incapacidade para o resto da vida.

Com educação adequada, os sintomas podem não ser tão patentes e haver uma melhoria da qualidade de vida. Por outro lado, um ambiente inadequado ou falta de educação apropriada podem levar a uma regressão e/ou perda de capacidades previamente adquiridas e ainda a deterioração de comportamentos como a automutilação, gritos, destruição…

As pessoas com autismo serão todas iguais?

As necessidades educativas das pessoas com autismo devem ser determinadas individualmente.

Os níveis funcionais destas pessoas mostram tremendas variações. É, contudo, quase sempre possível melhorar o seu nível de vida, mesmo na idade adulta, através da aplicação de programas educacionais bem selecionados e estruturados.

A compreensão básica da linguagem verbal pode variar desde a não existência até um domínio perfeito, mas a comunicação verbal é quase sempre estranha e muitas vezes não acompanha a expressão não verbal. A expressão verbal dos outros é muitas vezes mal interpretada.

Embora o autismo não seja uma doença, aparece associado a algumas doenças, como por exemplo, manifestações de epilepsia.

Conclusão: Interações lúdicas, compartilhamento de experiências e resolução de problemas em CONJUNTO são maneiras eficientes para trabalhar o desenvolvimento emocional das nossas crianças, seja qual for à gravidade do comprometimento no desenvolvimento, sempre há o que progredir, sempre há o que aprender e sempre podemos aprender MUITO com eles. O que mede a nossa alegria de viver é o quão competente nos sentimos no mundo!

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